Mensagem de Bento XVI para Walter Kasper, pelo 40. Aniversario da Nostra Aetate

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Bento XVI, Papa (Ratzinger, Joseph) 1927-

Città del Vaticano       26/10/2005

A meu venerado irmão
Cardeal Walter Kasper,
Presidente da Comissão para as Relações Religiosas com o Judaísmo

Passaram quarenta anos desde que meu predecessor, o Papa Paulo VI, promulgou a declaração do Concílio Vaticano II sobre as relações da Igreja com as religiões não-cristãs, Nostra Aetate, que abriu uma nova era nas relações com o Povo Judeu e assentou a base de um sincero diálogo teológico. Este aniversário nos oferece razões suficientes para expressar gratidão a Deus onipotente pelo testemunho de todos os que, apesar de uma complicada e com freqüência dolorosa história, e de maneira especial depois da trágica experiência da Shoah, que foi inspirada por uma ideologia neo-pagã racista, trabalharam com valentia por promover a reconciliação e fomentar a compreensão entre cristãos e judeus.
Ao pôr as bases de uma renovada relação entre o Povo Judeu e a Igreja, a «Nostra aetate» sublinhou a necessidade de superar os preconceitos, as incompreensões, a indiferença e a linguagem de desprezo e hostilidade do passado. A declaração foi a oportunidade para uma maior compreensão e respeito recíprocos, para a cooperação e, com freqüência, para a amizade entre católicos e judeus. Desafiou-os, também, a reconhecer suas raízes espirituais compartilhadas e a apreciar sua rica herança de fé em um único Deus, criador do Céu e da Terra, que estabeleceu sua aliança com o Povo Eleito, revelou seus mandamentos e ensinou a esperança nessas promessas messiânicas que dão confiança e consolo nas dificuldades da vida.
Neste aniversário, no qual voltamos nosso olhar às quatro décadas de contatos frutuosos entre a Igreja e o Povo Judeu, é necessário que renovemos nosso compromisso a favor do trabalho que ainda fica por fazer. Neste sentido, desde os primeiros dias de meu pontificado, e em particular durante a recente visita à Sinagoga em Colônia, expressei minha firme determinação de percorrer as marcas traçadas por meu predecessor, o Papa João Paulo II. O diálogo judeu-cristão tem de seguir enriquecendo e aprofundando os laços de amizade que se desenvolveram, e a pregação e a catequese tem de se comprometer para assegurar que se apresentem nossas relações recíprocas à luz dos princípios estabelecidos pelo Concílio.
Olhando para o futuro, espero que tanto no diálogo teológico como na colaboração cotidiana os cristãos e os judeus ofereçam um testemunho compartilhado ainda mais convincente do único Deus e de seus mandamentos, da santidade de vida, da promoção da dignidade humana, dos direitos da família e da necessidade de edificar um mundo de justiça, reconciliação e paz para as futuras gerações.
Neste aniversário, asseguro-lhe minhas orações e por todos os que estão comprometidos em promover uma maior compreensão e colaboração entre cristãos e judeus, de acordo com o espírito de «Nostra Aetate». Invoco a benção de Deus de sabedoria, alegria e paz sobre todos vós.

Vaticano, 26 de outubro.
BENEDICTUS PP. XVI

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Inserito 01/01/1970